Passa lento o rio Regando a terra Lambendo seu seio Descendo a serra Cheio de curvas Refrescando a terra Dando-lhe vida. A terra saboreia essa carícia Goza de prazer Se abrindo mais e mais E o rio Penetra em suas entranhas Dando-lhe mais gozo e mais vida. Quando morta de fadiga Por tanto prazer Abre-se ainda mais Permitindo que o rio lhe rasgue Marcando sua superfície Como uma cicatriz viva.
Por que escrever agora Se só ira e ódio me corrompem E o meu pior tenta se soltar De correntes a muito, preso Em masmorras onde trevas Vivem e não se interrompem.
Quando penso esquecido Conceitos que quero morto Uma faca de incompreensão Rasga meu ventre E de lá retira um ser torto.
Quando já conseguia Me ver melhor do que fera A maldade do amor Que preso dormia.....se solta Destruindo a primavera.
Essa ira com patas e garras Que não tem pés ou mãos Que quando afaga.. fere Quando pisa....destrói Qualquer sonho ou ilusão.
Seus olhos de puro fogo e sangue Me infundem medo e terror Pois hora não sei como vencê-lo Ele olha para mim com desdém E diz que é meu senhor.
E nesse momento de ira, não o odeio Por ele até sinto carinho Como daquele velho amigo De mil estradas e aventuras Por feios e distorcidos caminhos.
A ele não me entrego Mas também não o repudio Não luto para vencê-lo Apenas com ele caminho Por ruas de puro vazio.
Mesmo fera e forte Sei que se cansa e vai dormir Ai o carrego no colo com amor Como a criança travessa Para mais alguns dias fingir.
Ira, fera má e feroz Que o mal acabou de parir Cresceu rápido e sem controle Mas a lembrança de alguma esperança O faz manso, com poder de se redimir.
PASSEI HORAS E DIAS E TUDO QUE VIA ME DEIXAVA PARADO COMO UM SER MORTIFICADO SE ME OLHASSE NO ESPELHO NEM O AZUL BRANCO OU VERMELHO APENAS UM SER SEM COR QUASE ESTERIL DE ENTENDIMENTO DE PAZ E AMOR UM CADAVER DE OLHO FUNDO DE TANTO OLHAR PARA O MUNDO QUE EU NÃO SEI ENTENDER TALVEZ QUEM SABE, MAIS LER PRA QUASE DOUTOR, SABER QUE AS PESSOAS DO MUNDO AQUELAS DO MEU OLHO FUNDO SERES QUE NÃO PERCEBEM O FUTURO COM RESPEITO MERECIDO MAS COMO ALGO PERDIDO COM DIAS CONTADOS E FINDOS ELES NÃO PERCEBEM IMPERATIVO QUE MUDE SUA IDIOTA E VIL ATITUDE DE QUANDO OLHAR PARA FRENTE QUEIRA ALGO DIFERENTE E NÃO UM MUNDO PIOR, ESTÉRIL E MUITO MAIS DOENTE.
As lembranças Que ainda tenho de você É um livro que pelo tempo de desuso Hoje amarelecido pálido Roto e de letras quase apagadas Já não fazem sentido algum Olhar suas paginas que hoje se decompõem Não causam tristeza ou saudades Mas um tipo de angustia eufórica e feliz. Na verdade não tenho lembranças Ou algum sentimento bom A não ser o que agora me invade O de perceber que essas inúteis paginas Servem apenas para jogá-las ao fogo Que quero vivo e quente Fazê-lo servir de lenha seca e sem vida Simples combustível Para novos sentimentos de amor Que ganham mais vida com as cinzas de um velho livro de amor queimado...